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UMA BREVE PASSAGEM NOS 29 ANOS DA HISTÓRIA DO COMCAR

CONSELHO MUNICIPAL DO CARNAVAL/BA.

 

Em 1985, quando assessor da presidência da Associação dos Policiais Civis da Bahia, conheci o Advogado Antônio Otto Correia Pipolo, Otto Pipolo, o qual passou a trabalhar como Advogado da Associação. Convidado por ele comecei a frequentar as reuniões da Federação dos Clubes Carnavalescos, que tinha como presidente o senhor Arquimedes Silva, conhecido batalhador pelas causas dos blocos menos favorecidos. Ao seu lado estava Otto Pipolo, dotado de uma capacidade e de uma vontade enorme em dar solução aos tantos problemas que já passava o nosso Carnaval e às nossas entidades Carnavalescas, principalmente as de matrizes africanas, verdadeiras e legítimas representantes da cultura carnavalesca baiana.

O amigo Otto Pipolo, não media esforços para objetivar ideologicamente e dentro dos princípios éticos os projetos e acabei me incorporando. Foram muitas lutas para conquistar, os avanços que precisavam ser implantados, e democraticamente, reunindo as Entidades Carnavalescas fomos avançando. Vieram os congressos do Carnaval, saindo dali as discussões democráticas, os ajustes nos circuitos, as lutas pelo Direito de arena. Com a fundação da Associação dos Blocos de Salvador, com Otto Pipolo, presidente o circuito centro, hoje Osmar, foi organizado, nascendo ali a estrutura organizacional do Carnaval, levando-se em consideração para a ordem do Desfile, o critério de idade. Mas as lutas continuaram sempre sob o comando de Otto Pipolo, incansável, sempre ético! Não se preocupava com o seu Bloco O “PAPA LEGUAS”, se preocupava, sim, com todos. De passo a passo, chegamos em 1989, ocasião que se verificava a reforma da Lei Orgânica do Município de Salvador, e após termos realizado um Congresso do Carnaval, na Casa do Comércio, sentimos a ausência dos companheiros dos Blocos, que ameaçados pelo poder do prefeito à época, deixaram de comparecer ao Congresso, temendo retaliações. Não desanimamos e fomos procurar o Vereador Arnando Lessa, que nos orientou a apresentar pela Associação dos Blocos de Salvador , um projeto à Câmara Municipal de Salvador, para ser levado à reforma da constituição municipal, o que fizemos. Projeto elaborado e definido, para não entrar em questões partidárias, resolvemos que iríamos de gabinete em gabinete, o que fiz e fizemos numa verdadeira peregrinação esclarecendo aos Vereadores, a necessidade de termos a aprovação do projeto de criação do CONSELHO MUNICIPAL DO CARNAVAL, com o qual teríamos um Carnaval democrático, com voz, para todos, respeitando os atores dos espetáculos contidos nas entidades carnavalescas, contemplando os esforços de diversas pessoas, a exemplo do Seu Arquimedes Silva, em cansável batalhador, que ao lado de Otto Pipolo, muito representou para o nosso carnaval.

O projeto após todas as discussões e tramitações em comissões, foi levado ao Plenário da Casa do Povo para aprovação final, e pude ver naquela madrugada de Sábado, não me lembro a data, a renovada esperança dos carnavalescos, o sonho de ver realizado os princípios morais e éticos, que o meu amigo irmão Otto Pipolo, defendia e até hoje defende. O Projeto foi aprovado com louvor e com os votos de 34 vereadores, dos 35 existentes, portanto por maioria absoluta. Isso, se deu em 1989, e em 05 de Abril de 1990, foi Promulgada a Reforma Constitucional do Município de Salvador, garantindo, assim a existência do Conselho Municipal do Carnaval COMCAR, já com a sua formação composta na Lei.

Conselho instalado começa um novo momento, eleição de presidente e coordenador executivo, projetos e buscas para abrigar o novo instrumento da cidade do Salvador, começando aí uma nova etapa de lutas, até que em maio de 1993, me elegi Presidente Conselho Municipal do Carnaval e Otto Pipolo, Coordenador Executivo do Carnaval, para executar o Carnaval de 1994, ocasião em que tinhamos à frente da Prefeitura, a prefeita Lidice da Mata, que entendendo a importância do COMCAR, e reconhecendo as lutas desenvolvidas por Otto Pipolo, e por todos os segmentos Carnavalescos e pelos Carnavalescos, resolve instalar a tão sonhada CASA DO CARNAVAL, possibilitando a instalação do Conselho Municipal do Carnaval, a Coordenação Executiva do Carnaval e o Núcleo Técnico.

Com a implantação da CASA DO CARNAVAL, passamos a ter uma estrutura de funcionamento capaz de viabilizar os órgãos ali instalados, onde tivemos a parceria da gestão da Prefeita Lídice e da equipe da CASA DO CARNAVAL, que tinha como Diretor o competente Ari da Mata, sempre participativo, conciliador, articulador das ações objetivadas no voto da maioria dos membros do COMCAR, numa demonstração madura no tratamento das causas democráticas, no comando de um grupo com vários profissionais competentes, tecnicamente. Ali, com certeza tivemos a evolução e o profissionalismo do Carnaval, a valorização e o respeito aos profissionais das artes plásticas, às entidades culturais Carnavalescas, aos carnavalescos, aos profissionais da comunicação, aos artistas da nossa música baiana e aos nossos músicos; remunerando bem os nossos profissionais da música, fazendo o processo seletivo para contratação, licitação para contratação dos equipamentos estruturais para o Carnaval, pra Sonorização, critérios para contratação dos Trios elétricos, etc. Ali, também vimos o amigo Otto Pipolo, coordenador do Carnaval, 1994, quando, depois de uma edição do Congresso do Carnaval, em respeito à carta do Congresso, elaboramos o maior projeto que o Carnaval já teve. Ali, constatamos a alegria dos nossos músicos, das nossas bandas, que eram tratados dignamente pelo COMCAR, pela Coordenação Executiva e pela Prefeitura e os seus gestores. Muitos foram os avanços na administração do Coordenador Executivo Otto Pipolo, tendo sido marcada pelos maiores ajustes institucionais e democráticos que o Carnaval já passou.

Do lado da Emtursa, órgão executivo do Carnaval, responsável pela Casa do Carnaval e pela administração Lidice da Mata, no Carnaval, cumprindo as determinações objetivadas pelo voto da maioria nas decisões do COMCAR, levamos a efeito a ampliação do carnaval nos bairros (14, palcos) o palco do Rock, a estruturação da ordem de desfile, o direito de arena para as entidades carnavalescas e outros tantos valores institucionais, culturais, morais, éticos e carnavalescos.

Com a criação do Conselho Municipal do Carnaval, ficou resolvido um dos maiores problemas à época existente, que era a questão da competência administrativa do Carnaval, se do Estado, se do Município. Ficando definido pela Lei Orgânica do Município de Salvador, nos seus artigos 260 e 261, originais, na formatação jurídica do COMCAR, ser competência do Município gestar o Carnaval.

Em maio de 1994, O Conselho Municipal do Carnaval, elegeu Reginaldo Santos, com os votos da totalidade dos membros do COMCAR, para Coordenador Executivo do Carnaval, com a incumbência de colocar em prática o que não foi possível na gestão do Carnaval do ano anterior.

O projeto para o Carnaval de 1995, seguindo a orientação do projeto de 1994,foi amplamente discutido com todos os setores envolvidos no Carnaval, em obediência aos princípios democráticos previstos, tendo as suas decisões aprovadas pelo COMCAR, a exemplo da estruturação e padronização das barracas, a retirada dos balcões das calçadas, a ordem do desfile dos blocos na barra, a implantação do Circuito Barra Ondina, no sentido mão única, o início do desfile no Carnaval na quarta feira, para os blocos que desejasse, a definição dos horários para início e fim, terminando as atividades carnavalescas na Barra às 2:00, realizando sem sombra de dúvidas um grande Carnaval.

A gestão da administração Lidice da Mata, no Carnaval, foi marcada de êxito pela forma respeitosa, competente e democrática de todos os seus setores operacionais.

Os frutos deste trabalho resultou na profissionalização e na cultura da democracia nas ações do carnaval.

 

Quero pedir licença aos amigos para encerrar esta matéria, querendo com o relato que fiz, e aproveitando a oportunidade homenagear algumas importantes personagens e em especial, O HOMEM, O PAI, O FILHO, O CARNAVALESCO, O AMIGO, O IRMÃO, O MEU AMIGO, OTTO PIPOLO!

 

Celso Gabriel, Diretor de RH, da Câmara Municipal de São Paulo, importante incentivador da Arte, da Cultura, dos Esportes, da Música, do Samba e do nosso Carnaval. Muito me honra tê-lo como irmão!

 

Carlos Roberto Rodrigues, KK, que com seu espírito empreendedor, trouxe para o Carnaval da Bahia, junto com o nosso saudoso Jornalista, o irmão Evaristo Carvalho, a Revista Bahia Verão e Folia, revista que circulou de forma democrática no nosso Carnaval, divulgando o trabalho das entidades

Carnavalescas, principalmente daquelas que não tinham condições financeiras para arcar com os custos de divulgação. Muito obrigado!!!

 

E os amigos, em memória:

Dr. Hiram Araújo, médico, que dedicou a sua vida ao Carnaval, estando à frente do Centro de Memória da Liga das Escolas de Samba do Rio de janeiro- LIESA, importante pesquisador do Carnaval Universal, autor do Livro Carnaval, Seis Milênios de História, o maior registro histórico do Carnaval, que temos conhecimento. Muito me orgulho de ter trabalhado ao seu lado como palestrante nos diversos Congressos sobre Carnaval, Brasil á fora. Grande amigo!!!

 

Jornalista/Radialista Evaristo Carvalho, um grande irmão! Irmão do Samba, apresentador do seu próprio programa Rede Nacional do Samba, do qual fui correspondente por mais de 20 anos; apresentador e comentarista do Desfile das Escolas de Samba de São Paulo, responsável, também pela edição da Revista Bahia Verão e Folia!!! Saudades!!!

 

Júlio Teixeira, grande articulador Cultural, com atuação no governo de São Paulo, passando por vários setores da atividade humana, inclusive como Coordenador do Carnaval Paulistano, um grande irmão! Saudades!!!

 

Finalizando esse histórico registro jornalístico, registro a eleição do Conselho Municipal do Carnaval e outras Festas Populares, ocorrida no dia 15 de maio de 2017, dia do meu aniversário, onde fui pelos amigos, autoridades e conselheiros, homenageado e referendado pelo Secretário Municipal de Cultura e Turismo, do Município de Salvador, Claudio Tinoco, que lembrou o trabalho que desenvolvi junto com tantos outros carnavalescos para que fosse possível, hoje estarmos falando de Carnaval dentro de um contexto democrático, com a criação do Conselho e das leis complementares. O meu sincero agradecimento ao amigo Claudio Tinoco.

Mas quero registrar os fatos ocorridos na Eleição que teve a continuidade da Mesa Diretora do Conselho, mantendo o Presidente Pedro Manoel da Costa, representante da Federação dos Clubes Carnavalescos; elegendo o Vice Presidente Jairo da Mata, União dos Blocos de Samba e Albry Anunciação, representante da Associação dos Blocos de Salvador – ABS. Na mesma sessão para Eleição do Coordenador Executivo do CARNAVAL 2017/2018, houve um grande embate entre os candidatos Nelson Nunes, representante segmento dos Blocos Afros e Paulos Cezar de Araújo Leal, representante do segmento Trios Elétricos, que teve como resultado após vários questionamentos e tentativas de impugnação por parte do representante do segmento Afro, contra o candidato do segmento Trios, sendo contornado pelo presidente Pedro Costa, que remeteu o assunto para posterior posicionamento da Procuradoria Geral do Município, visto ser o assunto em pauta que levou o candidato Nelson Nunes, a questionar, é o fato de constar na lei um artigo que pretende impedir que proprietário de equipamentos não possa concorrer ao cargo de coordenador Executivo, só que o candidato Paulo Leal, não é proprietário de nenhum Trio ou outro tipo de equipamento e sim representante da Instituição Associação Baiana dos Trios Elétricos Independentes – ABTI. Após as acomodações necessárias levou-se ao processo eleitoral, e por maioria esmagadora, aonde se pode perceber a notória presença dos representantes com direito a voto, pelo governo do Estado e pela Prefeitura, além das entidades Carnavalescas, foi eleito PAULO LEAL, com 22 votos, dos 27 votos válidos, ficando o candidato Nelson Nunes, com 5 votos, sendo 1 voto nulo.

O Carnaval de 2018, passou! Agora, mais uma vez serão retomadas as discussões e composições para a nova eleição, que acontecerá no dia 15 de maio, para eleger a nova mesa diretora do Conselho Municipal do Carnaval, quando se renovam as esperanças e as forças para novamente se produzir um Carnaval, que traga benefícios para a sócio economia, o emprego e renda, e acima de tudo que se faça uma grande reflexão sobre o modelo que está posto e o que realmente precisamos!

Neste momento a Câmara Municipal de Salvador, volta a revisar a Lei Orgânica do

Município, no intuito e corrigir distorções e alcançar os objetivos da nossa cidade nas mais diversas áreas da suas atividades, inclusive no Capitulo da Cultura, onde os artigos 260 e 261, destinam-se ao Conselho Municipal do Carnaval, gerando de imediato uma grande preocupação nos carnavalescos e instituições, mas hoje 10 de Abril de 2018, na Câmara Municipal do Salvador, onde tive a oportunidade ver o compromisso assumido pelos vereadores, Moises Rocha e Joceval Rodrigues, a revisão não traria na sua pauta tirar do Conselho Municipal do Carnaval, a sua competência principal que é deliberar e fiscalizar, isso me deu uma certa confiança, mas sabemos que a vontade deles não se sustenta na vontade da maioria, o que me faz chamar a atenção de todos para o acompanhamento do processo e o apoio necessário ao trabalho da Comissão de Carnaval, da CÃMARA MUNICIPAL, inclusive apresentando propostas.

Estamos neste ano de 2018, contabilizando 29 anos de existência do nosso COMCAR, sabemos das necessidades que temos em promover ajustes, ajustes estes que o próprio Conselho, por sua composição tem competência para fazê-los. Precisamos contar com parcerias importantes e a orientação da nossa Casa Legislativa, a nossa Câmara Municipal do Salvador.

Espero estar trazendo à luz da história, breves momentos para que sirvam de inspiração na construção de um novo tempo para o nosso Carnaval!!!

VAMOS JUNTOS!!! VAMOS Á LUTA!!!!

 

POR REGINALDO SANTOS - (Reginaldo do Carnaval)

 
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