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Por Jefferson Cruz
Foto Mateus Pereira

Quem não já curtiu esses hits 'Nego Bom', 'Tome Baculejo', 'Kuduro', 'Traíra' e a mais recente música 'Piscadinha' do Eddye? Estes foram alguns dos sucessos que agitaram edições anteriores do carnaval de Salvador, e que emplacaram na carreira do artista que já foi vocalista da banda Parangolé, Fantasmão, e muitas outras. O ariano Edcarlos da Conceição Santos nasceu em Pojuca (interior da Bahia) no dia 28 de março de 1982, foi criado na cidade de Catu-Ba, onde teve suas primeiras curiosidades com a música aos 14 anos, iniciando na banda Sensação & Cia, e hoje, aos 28 anos já tem 15 anos de carreira.

Desde ano passado que o cantor Eddye começou a divulgar sua carreira na versão solo, marcando essa fase com o nome artístico de Edcity, uma adaptação do seu apelido que tem tatuado nas costas como "Eddye City". A idéia tem uma forte representação com os guetos e favelas da cidade, afinal suas composições são baseadas em letras que são um reflexo social das periferias brasileiras.  Edcity está aliado à proposta musical de unir elementos do Hip Hop com as guitarras pesadas do rock’n roll que deram origem ao Rap Groovado, que evoluiu da experimentação do “Groove Arrastado”, uma vertente do pagode baiano que o transformou em referencia de musicalidade.

Tudo isso, é claro, sem perder a alegria e o swingue irresistível da percussão baiana!  O cantor, guitarrista e compositor Edcity é o primeiro artista a representar o pagode baiano numdos principais festivais de música percussiva do mundo, o 17º Panorama Percussivo Mundial – PERC PAN 2010.

Em entrevista com, Edcity fala um pouco sobre essa participação no festival e sua carreira solo.

Como você chegou a esse conceito do Rap Groovado, presente nos primeiros trabalhos da carreira solo? Quais suas influencias musicais?

Edcity –O Rap Groovado nasceu da mistura de alguns elementos, assim como o Groove Arrastado. Na verdade o Rap Groovado do primeiro CD é uma variação do Goove Arrastado, tiramos o teclado e colocamos as guitarras ainda mais fortes, junto com a percussão e o Rap no canto. Mas, nada do que fazemos é estático. Não nos prendemos a rótulos e conceitos. Por isso agora, no ‘Transfiguração’, nosso segundo CD, já voltamos com o teclado e deixamos ainda mais swingado. A essência é uma só, mas a evolução é contínua.

Após emplacar sucesso com hits que agitaram edições anteriores do carnaval de Salvador, quais seus planos nessa fase solo, e o que apresenta como novidade para o carnaval 2011?

Edcity –Iniciar carreira solo é sempre um desafio grande e muitas vezes inevitável, por fazer parte do crescimento e amadurecimento artístico. Vamos completar um ano agora em outubro, e graças a Deus as coisas estão acontecendo da melhor maneira possível. Talvez não na velocidade que muitos esperavam, mas com a firmeza e tranqüilidade necessárias para quem quer construir uma base sólida. Acabamos de lançar a música ‘Piscadinha’ que já está entre as mais pedidas nas rádios e tem tudo pra chegar muito bem no verão. Para o Carnaval, vamos trabalhar ‘Olha o Gelo’, canção feita em homenagem a essa galera que trabalha duro nos dias de folia enquanto a maioria se diverte e muitas vezes nem nota a existência deles.

Qual sua expectativa na participação no 17º Panorama Percussivo Mundial, um dos principais festivais de música percussiva do mundo?

Edcity – Nossa, a melhor possível! Ficamos inicialmente surpresos com o convite, e hoje estamos honrados demais, isso é reconhecimento. E quem não fica feliz de ver seu trabalho reconhecido, né? Estamos preparando uma apresentação única e completamente diferente, sem perder a nossa essência, é claro. Para que tudo aconteça da forma como prevemos, estamos trabalhando duro. Ensaios diários quatro horas por dia, fora a lição de casa. A banda sabe o tamanho da responsabilidade, estão todos empenhados e dando o melhor de si.

O que significa 15 anos de carreira? Qual o papel da sua música e sua mensagem de artista nas comunidades de Salvador?

Edcity – São 15 anos de muita luta, insistência e persistência. Acredito que o microfone é uma arma se você pode além de levar alegria, também conscientizar por que não? É isso que tentamos fazer. Além de fazer a galera pular, dançar, jogar as mãos pro alto, também queremos causar reflexão quando alertamos sobre os malefícios das drogas, sobre preconceito, dentre outros temas. Pelo menos assim sabemos que estamos dando uma pequena contribuição pra tentar melhorar esse mundo louco em que vivemos.

Muitos jovens vivem esse sonho de projetar-se nacionalmente, tendo a idealização da Bahia como celeiro cultural. Qual o conselho você deixa para essa galera que deseja trilhar esse mesmo caminho da música?

Edcity – Viver de música é muito difícil. Aqui mesmo na Bahia novas bandas aparecem todos os dias, todos querendo encontrar um lugarzinho ao sol. Acredito que não existem fórmulas prontas, a onda é encontrar a sua verdade e buscar evoluir sempre. Estudar, se atualizar e correr atrás. No dia que recebemos o convite para tocarmos no Perc Pan, ouvimos a seguinte  frase: “A qualidade não é ingrata. Faça o seu bem feito que o reconhecimento virá.” Então é isso aí, busque qualidade em tudo que fizer. Não se dê por satisfeito nunca. A evolução nasce do incômodo.